PEDALANDO PELA PAZ! UM MISSIONÁRIO RADICAL ESTÁ INDO AO MUNDO INTEIRO

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PEDALANDO PELA PAZ! UM MISSIONÁRIO RADICAL ESTÁ INDO AO MUNDO INTEIRO

Mensagem  valdojv em Sex Maio 30, 2008 12:49 am

EM DIA COM A IGREJA – Pe. Valdery da Rocha*

PEDALANDO PELA PAZ! UM MISSIONÁRIO RADICAL ESTÁ INDO AO MUNDO INTEIRO
Nesta semana, passou pelo município de Cruz, onde sou Pároco, o senhor Valdecir João Vieira (também o chamam de padre Valdo). Pelo que falou, não seria longe da realidade vê-lo como um missionário radical, pedalando pela paz. Rompeu com estruturas de Igreja, e saiu, indo pelo mundo inteiro pregando, à sua maneira e com seu estilo de vida, valores do Evangelho. Tem “site” na Internet: www.valdonabike.com que acessei. Ali, há até uma capela virtual onde a gente pode meditar, ler a palavra de Deus, adorar a Deus. Numa entrevista que, quarta-feira última (dia 23), concedeu ao radialista dr. Lima, no programa “A comunidade e o cidadão”, da Rádio Comunitária 6 de abril, de Cruz, ele mesmo se apresentou assim: “Eu já estou completando 64 anos de idade, cabelos brancos, barba branca. Mas com muita disposição física para conhecer ainda grande parte do Brasil e do mundo. Estou pedalando uma bicicleta diferente que chama muita atenção; uma “cruz bike”. Por onde passo as pessoas vão fazendo perguntas e fotografando. É uma coisa bastante curiosa .

Em 1963, eu tinha já 19 anos, eu entrei no seminário com a intenção de ser missionário. Entrei na congregação salesiana; segui meus estudos: o ensino médio; fiz o noviciado; fiz a filosofia e fui fazer a teologia depois em Roma. Como era do Sul, queria ser missionário e passei para a missão de Amazonas. Trabalhei dezoitos anos na missão do Rio Negro, nas Ilhas indígenas em Manaus, em Porto Velho, em Belém, São Gabriel da Cachoeira e em toda aquela região do Norte.

Depois eu fui para uma missão mais avançada. Fui fazer missão na África e passei 10 anos em Moçambique. Moçambique é um país de língua portuguesa, onde 99% da população é negra. Pouquíssimos brancos. Um país que estava ainda na guerra civil de 23 anos na guerrilha, com muitas preocupações e muitas dificuldades. Depois de uns dez anos em Moçambique, eu voltei para Portugal. Eu pertencia então à Província Portuguesa, e em Portugal fiquei trabalhando por dois anos na edição eletrônica de uma revista, celebrando minha missa, fazendo um trabalho assim de pastoral dentro da cidade de Lisboa. Isso foi até o final de 2002, quando eu pedi uma dispensa de 3 anos, para rever a minha vida. Nessa dispensa de 3 anos foi quando eu comecei a viajar, primeiro como mochileiro. Montei-me em uma bicicleta, em maio de 2003, e comecei a fazer minha primeira viajem de 4 mil e poucos quilômetros descendo dos Estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e chegando até o Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Paraguai e voltei para Curitiba. Foi a minha primeira grande viagem. No momento, estou fazendo essa aventura gostosa que é conhecer o Nordeste, a partir de Fortaleza até São Luiz.... pelo Litoral, de bicicleta”.
Aqui, apenas alguns tópicos da longa e interessante entrevista:

CS- O que pretende com estas viagens?
Tenho como lema dessa viagem “pedalando pela paz”. Quero dar ao mundo uma mensagem de paz sem muita palavra, sem muita complicação, a simplicidade mesmo. Assim: conversas, testemunhos, mostrar para as pessoas que você, para ser feliz, não precisa ter muito dinheiro, não precisa ter muitos bens materiais, você tem que ter apenas uma disposição, uma boa tranqüilidade, uma boa organização consigo mesmo. Se é assim, você realiza verdadeiras maravilhas! Nessas viagens que eu faço, encontro cada gente ... que você não tem nem sequer condição de imaginar que existia essa gente positiva, gente que te acolhe, gente que dá a mão... enfim, pessoas humildes de todas as condições sociais, pessoas que te chamam na rua para te oferecer um prato de comida - ontem mesmo me aconteceu aqui na praia... São situações interessantes, a gente vai conhecendo e vai vivendo o que, de outra maneira, não teria condições.

CS- Como é o dia-a-dia de um padre, como o senhor, que esteve no Amazonas e se envolveu com os problemas sociais dalí?
O missionário tem em si o dom de ser um pouco aventureiro por que tem que enfrentar grandes desafios e tem que gostar do que faz se não ele não faz. Na Região Amazônica, trabalhei com os índios tucanos na região do alto Rio Negro. Depois, mais tempo em Porto Velho, como diretor de um colégio em Manaus como financeiro. Depois gerenciando toda a Província da região amazônica na parte financeira. E é um trabalho gratificante, bom, gostoso, mas! Eu queria mais; eu queria uma coisa ainda mais desafiante. Foi quando veio a idéia, e aceitei o convite, de ir para Moçambique para ver um outro aspecto diferente trabalhar num país onde apenas 13% da população é católica e todo resto é animista, ou seja, segue a religião natural... A gente estava ali como uma minoria. Era um trabalho muito bonito. Só que o país tinha passado 18 anos de guerra civil; estava tudo destruído: muita miséria, muita fome. Peguei três anos de guerrilha, ainda tive o desprazer de em um dia só fazer dezoito sepultamentos de pessoas degoladas a facão por causa da guerrilha. Mas era um trabalho bonito e eu gostava daquilo ali. Passei dez anos lá. Foi muito gratificante. E durante esse trabalho... quem trabalhou na Amazônia sabe dos conflitos de terra, e do jeito que é a perseguição que existe contra os missionários lá, que é matando, com assassinato. Neste país também, algum momento tive medo? Não! Lá na Amazônia, na minha época, não! Na década de 70, quando cheguei, lá era uma região bastante protegida pelos militares. Não tinha tanto conflito, mas lá na África, sim. Passei por momentos realmente complicados. Ninguém sabia se devia ficar na cama ou escondido debaixo de alguma coisa, porque, quando os guerrilheiros vêm, eles invadem tudo o que eles encontram pela frente. Estão logo matando. Eles tinham um certo respeito pela Igreja, tanto que toda a população corria e ia se refugiar na nossa Igreja, na nossa casa, onde ficavam três, quatro dias por ali, até que a situação passasse. Mas, por algumas vezes, passei por sufoco sim, com o perigo mesmo de ser assassinado, junto com as outras pessoas.

CS- Quem foram e quem são atualmente os grandes missionários no Brasil?
No Brasil?! É difícil responder essa pergunta porque eu passei mais de vinte anos fora do Brasil e.. não saberia lhe dizer; mas temos grandes personagens, tipo dom Helder Câmara e outros. Alguns que foram assassinados: padres, freiras que deram sua vida por uma causa. Nomes agora, nesse momento, não saberia dizer, não.

CS- Como você vê este grande número de igrejas no Brasil?
O ser humano precisa de um ser superior... tem que acreditar em alguma coisa. A Igreja Católica era a maioria aqui no Brasil, ela de certo ponto “relaxou”, ou seja, abriu demais, com muita facilidade. As pessoas católicas e o povo de um certo momento sentiam que queriam um pouco mais. Então, eles correm em busca de curandeirismo, de espiritismo, de seitas, alguma coisa que lhe ofereça um retorno imediato, uma cura imediata, um emprego. E, para isso, eles pagam o que quiserem muitas dessas seitas que existem por ai, onde o principal não é levar o individuo a Deus, mas é levar o dinheiro para o bolso... As seitas são assim, embora saiba eu que outras igrejas sérias existem. Sim. Mas, infelizmente, a Igreja Católica perdeu uma grande parte de seus filhos porque acham estes que ela abriu demais; seria bom ser um pouco mais exigente, um pouco mais severa. O ser humano gosta de um desafio, o jovem gosta de coisas difíceis. Quanto mais difícil, mais ele se realiza. “Puxa, dizem eles, isso é muito fácil ...” Com a religião acontece a mesma coisa. É mais ou menos isso.

CS- Qual o Papa a quem você mais admira?
Tirando São Pedro que foi o principal, a quem eu tenho mais veneração é João Paulo II. Tanto porque o conheci pessoalmente - tive oportunidade de estar duas vezes junto com ele, aqui no Brasil, em Manaus e, depois, em Roma. Também porque é um homem de Deus. A gente o sentia assim. A vivência dele era extraordinária, diferente de todos os outros. Agora, dizer que ele é assim só por causa da mídia, não concordo! Porque o atual tem os mesmos elementos na mão, os meios de comunicação, os transportes, tem tudo; e não tem o carisma que o outro tinha. Ele tinha carisma próprio que o diferenciava, que o distinguia de qualquer outro. A santidade nele era visível no olhar... no contato com o jovem, na maneira de ir, mesmo mantendo uma linha dura... Não foi, sei, um Papa de muita abertura. Mas ele era extremamente carismático, no sentido de uma vida diferente.

CS – Com relação à pobreza das pessoas, o que mais lhe chamou a atenção?
Por incrível que pareça, as pessoas, quanto mais humildes mais felizes são... Pode ser contraditório, mas tenho observado isso: gente humilde, de um coração aberto, gente que luta com extrema dificuldade, mas que sente o prazer de viver. Aqui no litoral estou encontrando jangadeiros. Conversando com eles ... eles me contando que saem meia noite e vão para o mar e voltam às dez horas da manhã. Tem vez que pegam bastante peixe; tem vez que pegam pouco. O que pegam é só para trocar por arroz ou feijão. E levar a comidinha para casa. Não sobra nada. Mas, mesmo assim, são pessoas que não reclamam da vida, e vivem nessa situação que poderia ser melhor, com certeza, não é?! Mas eles têm alegria de viver, estão satisfeitos... por questão de política, o nosso país não quis ainda resolver a situação dos pobres. Se quisesse...!

CS- Se lhe fosse dado poder, quais as três coisas que você mudaria em nosso país?
Primeiro deveria ter uma mudança radical no conceito tão falado de que brasileiro é esperto, ou seja: acabar com a corrupção. Esse é o ponto numero um que deveria ser mudado. Não sei como... ninguém trabalha para isso... Segundo, dar um plano de saúde para todos, sem nenhuma exclusão. Que a pessoa não precisasse passar por esse sofrimento todo que ele tem nas filas, por causa dos problemas de saúde. E o terceiro ponto, além da corrupção e da saúde, é dar a todos os brasileiros uma condição de vida, com um salário tal que ele possa viver sem maiores dificuldades. A todos, sem distinção.

CS- Com este fascínio todo pela bicicleta, tem recebido apoio de algum fabricante?
Recebi alguma coisa sim: um quadro; algumas peças. Mas é muito complicado. Patrocínio mesmo para realizar um projeto não é fácil, não! Para julho desse ano eu vou iniciar um grande desafio porque é meu sonho e já faz três anos que o estou preparando: fazer a volta ao mundo em cima de uma bicicleta. Em quatro anos. Na escolha da bicicleta acabou entrando essa aí que é nova. Mandaram-me pelo correio. Estou fazendo uns testes para fazer uma volta nos cinco continentes, em cinqüenta paises. Serão mais de 50 mil km pedalados...vou começar pela América, depois passo pela Oceania; depois faço a Ásia. depois, faço a África, faço a Europa e volto para cá de novo.

CS-Você pretende parar com estas suas andanças? Tem projetos para o futuro?
Eu pretendo terminar em 2012 com a travessia das Américas. Como disse, começando lá no Norte e terminando no...fim do mundo... São 50 mil quilômetros. Quero fazer em quatro anos, e quando terminar, em 2012, eu já vou estar com 68 anos. Tenho outro projeto na cabeça. Comprar um terreninho na minha cidade, lá em Joinvile, no Estado de Santa Catarina; montar uma coisa muito simples que já vi por aí pelo mundo afora, que é chamada “casa do ciclista”.O que é? Um chuveiro, uma churrasqueirasinha, um fogão, um lugar de colocar a rede ou a cama. É para recolher os ciclistas que viajam pelo o mundo inteiro. Esse é o meu projeto.. vou estar mais velhinho, viagens mais curtas... Recolher a possibilidade das pessoas que estão viajando chegarem lá e terem um ponto de apoio para contar suas histórias para contar piadas, para descansar, e assim... esse é o meu projeto final.
* Professor do Instituto de Teologia e Pastoral (ISTEP) e Pároco de Cruz

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